8 de março de 2012

Soneto do Novo Amor

Que no silêncio das minhas lágrimas
Você ouça meu coraçao
Que sai pela boca seca
Cheia de palavras.

Que nas noites do seu sono
Eu apareça na escuridão dos seus olhos
Acariciando seus medos
Beijando os seus sonhos.

Que nos nossos momentos
Vivamos a calma do tempo
Com a pressa do agora.

Que na nossa história
Tudo o que falta, se complete
Pois o amor, por si só, ja nos transborda.

24 de fevereiro de 2012

Peixes

Andei por dias
as areias secas da sua praia cheia
Vi peixes mortos
esturricados no chão
Com a pele seca e a boca aberta
como se pedissem socorro
Vi peixes e peixes, cadáveres
escamados e ressacados
Desesperados
Vi a esperança nos seus olhos apertados
A carniça marinha jogada nas suas praias abundantes
Pisava e pisava esmagando aquelas folhas branquiais
E os olhos desesperados me esperando

Eu que temi tanto, andei e andei nas praias secas
agora húmidas pelo meu pranto...

E mergulhei infinitamente

3 de fevereiro de 2012

Dança...dança...

Um brinde ás surpresas.
o excepcional inesperado, completo atalho...dos nossos caminhos.
á fenda de destinos e traços percorridos.
aos encontros não marcados, porém confirmados.

Um brinde ao brinde das oportunidades.
das portas escancaradas, dos corações abertos, silenciosos beijos.

Um brinde ao irremediável coração desatento e sedento.
que soluça a cada tropeço de sua dança imprevisível.

E por fim, um brinde ao tormento que inunda este peito estirado e jogado á sua sorte.

Brindemos tudo!

14 de outubro de 2011

Passam

vidros e janelas
copos e luzes e sons e panelas
e céu e sol e manhã
e o amanhã
e plásticos, máscaras, bolhas e lágrimas
batons e conversas e facas afiadas.
e remédios, beijos e letras...
e gritos e ritmos e pássaros e tiros
e palavras jogadas.
Travesseiros, quadros e roupas
e camas e pés e música
e o chão e o pão e a luz.
e o grito, a nuvem e a mão
e a água, o mar e a cruz
e eu.

29 de agosto de 2011

A Deus

Eu devolvo a vida.

Devolvo à vida, tudo que me foi consumido.
Ávida do tormento que me foi permitido.
Acabam-se as dores do mundo
e a minha.

O parto reverso de saída
Serei parida para dentro de tudo.

A minha
placenta de concreto definha.

Abre-se a Mãe para me receber
e me envolve nos lençóis de água.
Meu corpo é o que agora
alimenta esta morada.

O olho, a boca e a mão de despedida,
carimbam o corpo e a alma dos meus,
não deixo nenhum bem, que não estes versos.

O remédio infalível para a dor
é o son(h)o profundo,
então Adeus.