24 de fevereiro de 2012

Peixes

Andei por dias
as areias secas da sua praia cheia
Vi peixes mortos
esturricados no chão
Com a pele seca e a boca aberta
como se pedissem socorro
Vi peixes e peixes, cadáveres
escamados e ressacados
Desesperados
Vi a esperança nos seus olhos apertados
A carniça marinha jogada nas suas praias abundantes
Pisava e pisava esmagando aquelas folhas branquiais
E os olhos desesperados me esperando

Eu que temi tanto, andei e andei nas praias secas
agora húmidas pelo meu pranto...

E mergulhei infinitamente

3 de fevereiro de 2012

Dança...dança...

Um brinde ás surpresas.
o excepcional inesperado, completo atalho...dos nossos caminhos.
á fenda de destinos e traços percorridos.
aos encontros não marcados, porém confirmados.

Um brinde ao brinde das oportunidades.
das portas escancaradas, dos corações abertos, silenciosos beijos.

Um brinde ao irremediável coração desatento e sedento.
que soluça a cada tropeço de sua dança imprevisível.

E por fim, um brinde ao tormento que inunda este peito estirado e jogado á sua sorte.

Brindemos tudo!

14 de outubro de 2011

Passam

vidros e janelas
copos e luzes e sons e panelas
e céu e sol e manhã
e o amanhã
e plásticos, máscaras, bolhas e lágrimas
batons e conversas e facas afiadas.
e remédios, beijos e letras...
e gritos e ritmos e pássaros e tiros
e palavras jogadas.
Travesseiros, quadros e roupas
e camas e pés e música
e o chão e o pão e a luz.
e o grito, a nuvem e a mão
e a água, o mar e a cruz
e eu.

29 de agosto de 2011

A Deus

Eu devolvo a vida.

Devolvo à vida, tudo que me foi consumido.
Ávida do tormento que me foi permitido.
Acabam-se as dores do mundo
e a minha.

O parto reverso de saída
Serei parida para dentro de tudo.

A minha
placenta de concreto definha.

Abre-se a Mãe para me receber
e me envolve nos lençóis de água.
Meu corpo é o que agora
alimenta esta morada.

O olho, a boca e a mão de despedida,
carimbam o corpo e a alma dos meus,
não deixo nenhum bem, que não estes versos.

O remédio infalível para a dor
é o son(h)o profundo,
então Adeus.

12 de abril de 2011

Sati

I.

Toque

do

despertador.

Desperta

dor.


II.

A

Boca

molhada

do

oco.


O eco

se dá

por um

triste

começo.


Por

um triz

te olho.

"Olhais a ti

no espelho?"


III.

A

mordaça

fúnebre.


IV.

Amor,

dá-se um

fim a mim

que não

reconheço.


Amordace

minha boca;

e o aniversário

deste casal,

é a boda de morte

que o vento

nupcial

sopra as sobras

da sua

sorte.


Entrelaçados,

entre laços

de sangue

que verto

digo que:

Agora dá-se

o fim.


Ou

um novo

começo..