24 de fevereiro de 2010

Sse

Se eu me atrevesse
e você percebesse
e eu provocasse
e você me testasse
e eu te confirmasse
e você quisesse
e eu esperasse
e você viesse
e eu paralisasse
e você chegasse
e eu não respirasse
e você se aproximasse
e eu congelasse
e você me beijasse
e eu te beijasse
e você gostasse
e eu estremecesse
e você continuasse
e eu derretesse
e você me carregasse
e eu te deitasse
e você me amasse






E eu acordasse
e esse sonho acabasse.

4 de fevereiro de 2010

Ela não diz

Pois está escrito na sua alma
e seus olhos gritam pra quem quiser ouvir.

15 de janeiro de 2010

Caricatura

Os teus traços rudes, as tuas atitudes doces.
Os teus braços longos, os teus curtos suspiros.
Os teus olhos, os teus olhos.
Os teus carinhos, a tua ausência.
Os teus medos, a tua boca.
Os teus músculos, a tua fragilidade.
Os teus esforços, a tua decepção.
Os teus sussurros, o teu sorriso.
Os teus vícios, as minhas dores.

27 de dezembro de 2009

Corpo Faminto

O Sol parecia enraizar na terra, onde estava sua pele. Estava deitada, lânguida, onde seu corpo já virara terra e onde seus sabores ardiam, só lhe faltava evaporar de tão quente. Seus cabelos negros e queimados pelo sol se misturavam aos grãos da terra e seus grandes olhos pretos, fundos e perseguidores olhavam o verde a sua volta como se tudo fosse seu. Cada planta, cada aroma, cada ser vivo, cada ar que respirava era seu; dominara tudo. Cada fruta, cada gota de água que escorria de seu corpo enquanto se banhava na cachoeira e cada centímetro de sol que lhe lambia o corpo para secar.
A brisa suave vinha e balançava os frutos coloridos das árvores, e também lhe acalentava as vísceras que pegavam fogo. Assim que sua garganta secara, pegou a laranja que mais gritava a seus olhos, apalpou bem com suas mãos e seu aroma já lhe penetrava os sentidos, sentou-se como que para conversar com a vida, partira o fruto no meio e com seus dentes, lábios e mãos famintas a devorara deixando que seu doce suco escorresse por seus lábios, seu dorso, seu colo, seu ventre e suas pernas, adocicando sua pele amarga e alimentando suas ilusões.

11 de dezembro de 2009

Mal de Amor

Cupido desgraçado!
Oh flecha insensível e dolorosa
Que se abate sobre nosso peito, perfurando nosso orgulho.

Eros maldito!