15 de janeiro de 2010

Caricatura

Os teus traços rudes, as tuas atitudes doces.
Os teus braços longos, os teus curtos suspiros.
Os teus olhos, os teus olhos.
Os teus carinhos, a tua ausência.
Os teus medos, a tua boca.
Os teus músculos, a tua fragilidade.
Os teus esforços, a tua decepção.
Os teus sussurros, o teu sorriso.
Os teus vícios, as minhas dores.

27 de dezembro de 2009

Corpo Faminto

O Sol parecia enraizar na terra, onde estava sua pele. Estava deitada, lânguida, onde seu corpo já virara terra e onde seus sabores ardiam, só lhe faltava evaporar de tão quente. Seus cabelos negros e queimados pelo sol se misturavam aos grãos da terra e seus grandes olhos pretos, fundos e perseguidores olhavam o verde a sua volta como se tudo fosse seu. Cada planta, cada aroma, cada ser vivo, cada ar que respirava era seu; dominara tudo. Cada fruta, cada gota de água que escorria de seu corpo enquanto se banhava na cachoeira e cada centímetro de sol que lhe lambia o corpo para secar.
A brisa suave vinha e balançava os frutos coloridos das árvores, e também lhe acalentava as vísceras que pegavam fogo. Assim que sua garganta secara, pegou a laranja que mais gritava a seus olhos, apalpou bem com suas mãos e seu aroma já lhe penetrava os sentidos, sentou-se como que para conversar com a vida, partira o fruto no meio e com seus dentes, lábios e mãos famintas a devorara deixando que seu doce suco escorresse por seus lábios, seu dorso, seu colo, seu ventre e suas pernas, adocicando sua pele amarga e alimentando suas ilusões.

11 de dezembro de 2009

Mal de Amor

Cupido desgraçado!
Oh flecha insensível e dolorosa
Que se abate sobre nosso peito, perfurando nosso orgulho.

Eros maldito!

24 de novembro de 2009

Gigante-Formiga

Meu braço doía..doía muito.
E também meu coração e meu pulmão..a leveza com que eu vinha vindo, desaparecera como um vapor, muito volátil mas que trazia ao meu corpo um peso.
Eu continuava não sabendo o por quê do meu braço doer tanto
e descobri que ele carregava muitos sonhos, sonhos pesados de gigante, e que também fazia muita força pros sonhos de formiga não escorregarem por nenhum buraquinho.
Trazia no braço também muitas esperanças em blocos de tijolos; que ao soltar o braço, se quebraram todos no chão e foram levados pela chuva...talvez eu nunca mais os veja.
Talvez eu possa reconhecer seus contornos nas nuvens.
E ao mesmo tempo que esse peso foi embora, um maior ficou: o de não tê-los. Eu era tão feliz carregando todo esse conteúdo volátil que me fazia flutuar. E agora ele realmente escapou e as minhas pernas também doem, depois de tanto tempo, coloquei-as no chão.
E o meu coração dói, cansado de se abrir pra sonhos de gigante-formiga.

13 de novembro de 2009

Quanta luz havia!

De uma forma despojadamente incerta, e até ilusória, ela se senta na sua cama.
Parece que cresceu uns 5 anos e se sente dona de si, mulher...
E só o fato de nada estar acontecedo, significa que tudo conspira a seu favor. Bem, muito bem. Uma sensação que há muito ela não sentia; era como se houvesse um óculos atado a seu rosto e suas impressões eram de mulher vivida, com um intelecto invejável. Na verdade era só um menina que se acha. E acredita no que acha, com uma verdade irrefutável.....
e perigosa
e foguenta. Com uma sede egocêntrica, na verdade sentia como se tivesse um espelho dentro de seu corpo que reluzia luz para fora de si.
E quanta luz havia naquela criança.
E quanta luz havia nela!