O Sol parecia enraizar na terra, onde estava sua pele. Estava deitada, lânguida, onde seu corpo já virara terra e onde seus sabores ardiam, só lhe faltava evaporar de tão quente. Seus cabelos negros e queimados pelo sol se misturavam aos grãos da terra e seus grandes olhos pretos, fundos e perseguidores olhavam o verde a sua volta como se tudo fosse seu. Cada planta, cada aroma, cada ser vivo, cada ar que respirava era seu; dominara tudo. Cada fruta, cada gota de água que escorria de seu corpo enquanto se banhava na cachoeira e cada centímetro de sol que lhe lambia o corpo para secar.
A brisa suave vinha e balançava os frutos coloridos das árvores, e também lhe acalentava as vísceras que pegavam fogo. Assim que sua garganta secara, pegou a laranja que mais gritava a seus olhos, apalpou bem com suas mãos e seu aroma já lhe penetrava os sentidos, sentou-se como que para conversar com a vida, partira o fruto no meio e com seus dentes, lábios e mãos famintas a devorara deixando que seu doce suco escorresse por seus lábios, seu dorso, seu colo, seu ventre e suas pernas, adocicando sua pele amarga e alimentando suas ilusões.
27 de dezembro de 2009
11 de dezembro de 2009
Mal de Amor
Cupido desgraçado!
Oh flecha insensível e dolorosa
Que se abate sobre nosso peito, perfurando nosso orgulho.
Eros maldito!
Oh flecha insensível e dolorosa
Que se abate sobre nosso peito, perfurando nosso orgulho.
Eros maldito!
24 de novembro de 2009
Gigante-Formiga
Meu braço doía..doía muito.
E também meu coração e meu pulmão..a leveza com que eu vinha vindo, desaparecera como um vapor, muito volátil mas que trazia ao meu corpo um peso.
Eu continuava não sabendo o por quê do meu braço doer tanto
e descobri que ele carregava muitos sonhos, sonhos pesados de gigante, e que também fazia muita força pros sonhos de formiga não escorregarem por nenhum buraquinho.
Trazia no braço também muitas esperanças em blocos de tijolos; que ao soltar o braço, se quebraram todos no chão e foram levados pela chuva...talvez eu nunca mais os veja.
Talvez eu possa reconhecer seus contornos nas nuvens.
E ao mesmo tempo que esse peso foi embora, um maior ficou: o de não tê-los. Eu era tão feliz carregando todo esse conteúdo volátil que me fazia flutuar. E agora ele realmente escapou e as minhas pernas também doem, depois de tanto tempo, coloquei-as no chão.
E o meu coração dói, cansado de se abrir pra sonhos de gigante-formiga.
E também meu coração e meu pulmão..a leveza com que eu vinha vindo, desaparecera como um vapor, muito volátil mas que trazia ao meu corpo um peso.
Eu continuava não sabendo o por quê do meu braço doer tanto
e descobri que ele carregava muitos sonhos, sonhos pesados de gigante, e que também fazia muita força pros sonhos de formiga não escorregarem por nenhum buraquinho.
Trazia no braço também muitas esperanças em blocos de tijolos; que ao soltar o braço, se quebraram todos no chão e foram levados pela chuva...talvez eu nunca mais os veja.
Talvez eu possa reconhecer seus contornos nas nuvens.
E ao mesmo tempo que esse peso foi embora, um maior ficou: o de não tê-los. Eu era tão feliz carregando todo esse conteúdo volátil que me fazia flutuar. E agora ele realmente escapou e as minhas pernas também doem, depois de tanto tempo, coloquei-as no chão.
E o meu coração dói, cansado de se abrir pra sonhos de gigante-formiga.
13 de novembro de 2009
Quanta luz havia!
De uma forma despojadamente incerta, e até ilusória, ela se senta na sua cama.
Parece que cresceu uns 5 anos e se sente dona de si, mulher...
E só o fato de nada estar acontecedo, significa que tudo conspira a seu favor. Bem, muito bem. Uma sensação que há muito ela não sentia; era como se houvesse um óculos atado a seu rosto e suas impressões eram de mulher vivida, com um intelecto invejável. Na verdade era só um menina que se acha. E acredita no que acha, com uma verdade irrefutável.....
e perigosa
e foguenta. Com uma sede egocêntrica, na verdade sentia como se tivesse um espelho dentro de seu corpo que reluzia luz para fora de si.
E quanta luz havia naquela criança.
E quanta luz havia nela!
Parece que cresceu uns 5 anos e se sente dona de si, mulher...
E só o fato de nada estar acontecedo, significa que tudo conspira a seu favor. Bem, muito bem. Uma sensação que há muito ela não sentia; era como se houvesse um óculos atado a seu rosto e suas impressões eram de mulher vivida, com um intelecto invejável. Na verdade era só um menina que se acha. E acredita no que acha, com uma verdade irrefutável.....
e perigosa
e foguenta. Com uma sede egocêntrica, na verdade sentia como se tivesse um espelho dentro de seu corpo que reluzia luz para fora de si.
E quanta luz havia naquela criança.
E quanta luz havia nela!
9 de novembro de 2009
Vertical
Ainda lembro de alguns traços do seu rosto,
Imprimo na minha memória alguns momentos, alguns toques ou até algumas frases
Não que eu não gostasse de ficar revivendo-as nos meus sonhos, mas cansei.
Dados os fatos e as cartas na mesa
Atrevo-me a dizer que meu coração não mais baterá acelerado quando olhar você
Nem mesmo sufocarei em esperanças.
Aprendi que eu sentia uma teimosia, talvez até obsseção daquilo que realmente fazia falta:
O meu infinito. E o meu infinito não se resume mais no que você fez ou disse.
Tentarei até esquecer o seu nome
E assim não cairei na tentação de lhe chamar.
Essa decisão é tão clara e racional,
Saber que aquilo que eu sentia, simplismente se esvaiu no ar, e saiu pela janela do meu quarto
Que sensação! Uma liberdade, uma brisa
Um vento frio que se choca com o meu corpo e me leva, leve
Estranhamente, não ouso em hesitar e posso até proclamar que já não significas nada
Comunico ao meu coração
Infitos beijos e abraços de adeus á você
Imprimo na minha memória alguns momentos, alguns toques ou até algumas frases
Não que eu não gostasse de ficar revivendo-as nos meus sonhos, mas cansei.
Dados os fatos e as cartas na mesa
Atrevo-me a dizer que meu coração não mais baterá acelerado quando olhar você
Nem mesmo sufocarei em esperanças.
Aprendi que eu sentia uma teimosia, talvez até obsseção daquilo que realmente fazia falta:
O meu infinito. E o meu infinito não se resume mais no que você fez ou disse.
Tentarei até esquecer o seu nome
E assim não cairei na tentação de lhe chamar.
Essa decisão é tão clara e racional,
Saber que aquilo que eu sentia, simplismente se esvaiu no ar, e saiu pela janela do meu quarto
Que sensação! Uma liberdade, uma brisa
Um vento frio que se choca com o meu corpo e me leva, leve
Estranhamente, não ouso em hesitar e posso até proclamar que já não significas nada
Comunico ao meu coração
Infitos beijos e abraços de adeus á você
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