11 de abril de 2013

Carne Crua



Eu comi os restos. 
Tomei banho na chuva. 
 
Eu apaguei a lua, 
matei tudo que me fazia ser igual. 
 
Eu travei quando meus ouvidos estouraram 
Com as palavras cortadas 
Que me cortaram 
       
Eu sangrei e gostei 
Da eletricidade paralitica que correu no meu corpo 
  
Eu sou o puro, incerto 
O devaneio concreto 
E assustador 
   
Sou nua de vicio 
E me rasga em suplício 
A carne exposta da dívida a mim mesma 
Por uma resposta vestida. 
  
Vespa social 
É a carne crua da rua 
O tiro, a bala e a arma 
O suor da pele, pingando em fumaça 
é a traça, o bicho, o lixo, o nada.

2 de março de 2013

A-Dor

A
Amor
Bi
Bipartido
C
Coração Bipartido
Di
Dicotomia
Dividida
Dúvida
Duo
Dois
Dor
A
Dor

17 de fevereiro de 2013

Mar e Terra

O tempo para e quando anoitece,
a dor esquece o que esqueci.

E é quando o céu parece mar
Que flutuo e mergulho mais leve que o ar.

E é quando o mar parece céu,
que me atiro nestas águas, nestas almas.

Te encontro no infinito.
No coração desperto e perto.
No ar sombrio das almas que não curo.
No horizonte inquieto
do mar.

E seu sorriso que é lindo,
me machuca de tão puro...

Que a cada dia que passa,
meu coração mais descompassa ao te ver.

Tanto que pedi.
Tanto que escrevi.
Os céus me mandaram
um pedaço de si.

Do corpo que tudo espera, a dor que nunca cessa.

Um pedaço de céu no homem.
Meu pedaço de mar na terra.


5 de fevereiro de 2013

Um Soneto Para Você

De rosto grosso
E torso forte
Foi no caminho a morte,
que te encontrei.

Com olhos de céu...
com olhos de mar...
Salvou meu coração...
que é fênix.

No infinito...
No horizonte ao longe,
se é feliz.

Você me inunda.
Enquanto te afogo.
Enquanto há fogo.

20 de novembro de 2012

Último Andar




Eu andei 

 
Até meu corpo ficar mudo.  
Até meus olhos secarem.  

Até meu coração calar...  

 
 
Eu andei embaixo do sol,  
em direção ao nada,  
eu andei com meus pés.  


 
 
Eu andei para te esquecer.  
Eu andei porque te amei.  
Eu andei para cegar minhas mãos.  
  
 
Eu andei para chorar... 
 
  
Eu andei sem saber porque,  
nem para que. 



 
 
Eu andei para andar... 



   
 
para ver se te encontrava, 
para esquecer meu nome, 
para ver se te apagava. 

  
  
Eu andei até ficar sem ar. 
Eu andei esperando você. 

Eu não sei até onde andei. 

       
Eu andei porque ainda te amava. 
    
Eu andei até meus pés sumirem.  
Eu andei para escutar. 
Eu não sei para onde fui,  
nem se voltei. 



           
           
Eu andei até sangrar.    

       
       
Eu não sei se cheguei,  
nem onde fui parar.  
Talvez eu tenha voltado,  
talvez eu fique por lá.  


      
Eu posso ter me esbarrado no caminho de volta, 

ou era apenas uma curva...  

e eu continuo em último lugar. 


         
        
Eu andei com meu coração,      
o mais longe que suportei sua ausência andar.