29 de agosto de 2011

A Deus

Eu devolvo a vida.

Devolvo à vida, tudo que me foi consumido.
Ávida do tormento que me foi permitido.
Acabam-se as dores do mundo
e a minha.

O parto reverso de saída
Serei parida para dentro de tudo.

A minha
placenta de concreto definha.

Abre-se a Mãe para me receber
e me envolve nos lençóis de água.
Meu corpo é o que agora
alimenta esta morada.

O olho, a boca e a mão de despedida,
carimbam o corpo e a alma dos meus,
não deixo nenhum bem, que não estes versos.

O remédio infalível para a dor
é o son(h)o profundo,
então Adeus.

12 de abril de 2011

Sati

I.

Toque

do

despertador.

Desperta

dor.


II.

A

Boca

molhada

do

oco.


O eco

se dá

por um

triste

começo.


Por

um triz

te olho.

"Olhais a ti

no espelho?"


III.

A

mordaça

fúnebre.


IV.

Amor,

dá-se um

fim a mim

que não

reconheço.


Amordace

minha boca;

e o aniversário

deste casal,

é a boda de morte

que o vento

nupcial

sopra as sobras

da sua

sorte.


Entrelaçados,

entre laços

de sangue

que verto

digo que:

Agora dá-se

o fim.


Ou

um novo

começo..

17 de março de 2011

A Passagem

Lá fora nada está bem...
aqui dentro também...

Busco em todos os rostos
mas não encontro o que procuro.

Procuro? Solidão!

Procurar é o solitário ato de afirmar que não se tem o que se quer.

Ausência

Ai lágrimas, já passaste por aqui pelo que me lembro.
Tuas visitas não fazem falta!

Nada muda - nunca.
Não nos entristeçamos com os fatos da vida, sim?

O sono profundo da paz - a morte.
O que olhas? Teus olhos te enganam meu amor.
Me enxergaria melhor com as mãos.
Me ouviria melhor com a boca.

A ausência de algo desconhecido é o que inquieta a minha alma.
Eu tenho tanto nada que não sei o que fazer com tudo isso.

Extirpa a minha fome de procura e que eu saiba apenas esperar.

Ai vida....que o gosto da espera passa mais lento na boca cansada.
E que me entorpeça o sono por anos para esperar-te.

Espera? Solidão

Espera então a tua hora...
que ela além de não tardar é a tua única certeza.
Viva com essa certeza.
...porque com ela morremos também!

11 de março de 2011

Ânsia

Os meus olhos estão tristes

Vejo tanto e nada me agrada

...falta

Vejo nada e tudo me falta...de qualquer forma tudo me falta, sempre

é tão ralo e transparente

Como afogar nas cores a minha dor e o meu desespero de sempre

querer mais

sozinha


Que se caiam os meus olhos após lavados pelo sal

é tão triste e tão lento

Suicidamente ridículo, sem a menor arte

Os olhos não mentem e por um segundo precedem atentos

A morte

e sentem...como a cabeça vazia, uma caixinha vazia

a cabeça é vida

Agora vazia


Implodida

...sem ar

A pressão do ar está menor que a das cores

Vazio é bom pois está a espera de algo que o preencha....

nem sempre....


Nem sempre é preenchido


A humanidade está toda viva-morta

E na sua singular assassina rotação

Onde eu já não possuo mais orbita regrada

nem vontade de nada.


Amputa minha dor de espera

ânsia

Exorta meu coração dessa caixa vazia

Desesperansia.


E que toda essa pequeneza que me corrói, viva, pois

algo...pelo menos algo tem que estar vivo dentro disso aqui

Enquanto o que me servir de inspiração for a dor e falta de amor

Que tudo caia que nada mais me importa.



30 de novembro de 2010

4 segundos

princípio começo fim meio início final final final new começo half fim começo fim velho oi começo fim tarde princípio término talvez end sim começo princípio fim meio byel final manhã metade meio half fim meio final não princípio fim início meio fim velho oi começo metade final término vírgula end sim começo princípio meio final não tanta coisa começa e tanta coisa acaba e tanta coisa se perde e tanta dor se reinstaura e aqui no fim cronológico vejo tanta vida tanta vida curta passagens de acontecimentos como estrelas cadentes e acontece tudo tão rápido devagar queria poder dizer verdades ingênuas queria que esse gozo caótico encurtasse o tempo parece que apesar de muita coisa começar estou esperando a morte do velho e o renascimento regrado da alma ah ela está tão feliz que sorriso vida apaixonada pelos erros acertos e acontecimentos da sua vida entregue a paixão completa que delicia-se nos deslizes como um rito de passagem terminável e outorgado a solidão deixou de ser só não que eu não goste só não queria que fosse só ela dentro dela ilumina-se agora a vastidão do silêncio lindo vida princípio meio fim novo começo fim início metade final término princípio começo fim meio final final final new começo metade meio half fim começo princípio meio princípio término talvez end começo princípio meio fim velho oi começo fim tarde término talvez princípio end sim começo