17 de março de 2011

A Passagem

Lá fora nada está bem...
aqui dentro também...

Busco em todos os rostos
mas não encontro o que procuro.

Procuro? Solidão!

Procurar é o solitário ato de afirmar que não se tem o que se quer.

Ausência

Ai lágrimas, já passaste por aqui pelo que me lembro.
Tuas visitas não fazem falta!

Nada muda - nunca.
Não nos entristeçamos com os fatos da vida, sim?

O sono profundo da paz - a morte.
O que olhas? Teus olhos te enganam meu amor.
Me enxergaria melhor com as mãos.
Me ouviria melhor com a boca.

A ausência de algo desconhecido é o que inquieta a minha alma.
Eu tenho tanto nada que não sei o que fazer com tudo isso.

Extirpa a minha fome de procura e que eu saiba apenas esperar.

Ai vida....que o gosto da espera passa mais lento na boca cansada.
E que me entorpeça o sono por anos para esperar-te.

Espera? Solidão

Espera então a tua hora...
que ela além de não tardar é a tua única certeza.
Viva com essa certeza.
...porque com ela morremos também!

11 de março de 2011

Ânsia

Os meus olhos estão tristes

Vejo tanto e nada me agrada

...falta

Vejo nada e tudo me falta...de qualquer forma tudo me falta, sempre

é tão ralo e transparente

Como afogar nas cores a minha dor e o meu desespero de sempre

querer mais

sozinha


Que se caiam os meus olhos após lavados pelo sal

é tão triste e tão lento

Suicidamente ridículo, sem a menor arte

Os olhos não mentem e por um segundo precedem atentos

A morte

e sentem...como a cabeça vazia, uma caixinha vazia

a cabeça é vida

Agora vazia


Implodida

...sem ar

A pressão do ar está menor que a das cores

Vazio é bom pois está a espera de algo que o preencha....

nem sempre....


Nem sempre é preenchido


A humanidade está toda viva-morta

E na sua singular assassina rotação

Onde eu já não possuo mais orbita regrada

nem vontade de nada.


Amputa minha dor de espera

ânsia

Exorta meu coração dessa caixa vazia

Desesperansia.


E que toda essa pequeneza que me corrói, viva, pois

algo...pelo menos algo tem que estar vivo dentro disso aqui

Enquanto o que me servir de inspiração for a dor e falta de amor

Que tudo caia que nada mais me importa.



30 de novembro de 2010

4 segundos

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3 de setembro de 2010

Primeiro Encontro

Ele leva

a luz de velas,

os olhos dela

pra alma dele.

Vê que a noite,

derrete ela.

Leva a menina,

a ver estrelas.

Lê-me as veias.

Vê ele,

Nela

Vê ela,

Nele.

Me vê acesa.

Apaga a vela.

Dorme Sol.

Levanta estrela.

Vela ela

insiste em vê-la

Até que ela

Veleje nele.

Se veja nela,

sede dele.

A seda, ela,

na boca dele.


Porém se,

sede só,

a noite inteira,

virara pó.


Ele ficou mergulhado nela

E ela, nos olhos dele.

A flor dos cabelos dela.

Ficou na cabeceira dele.


Ela plantou uma esperança

No canto da cabeça dele.

10 de agosto de 2010

A Foto

É como se o espelho tivesse congelado minhas próprias retinas
Como se eu tivesse me acostumado a ver o que não existe
Mas por uma noite, por algumas horas, depois de tantos dias;
pude sentir algo se derretendo nas minhas mãos
Cada vez menor e menor...só não se sabia quanto!

E um simples retrato, choca minha vista
Remexe meus órgãos, mata minha fome.
Não me acostumei a ser feliz
Dói uma dor de pena...pena por mim mesma ao ver a antiga carcaça pelos ares
E se rasga um medo misturado com ansiedade a esse novo mundo
de conquistas...cada vez maiores e eu nem imagino o quanto!

E de susto em susto, espero me acostumar comigo mesma.

Ou é tudo um frenesi?