A tua pálida vontade
inspira o desejo de
desmontar esse castelo torto de mármore,
arranhando, mordendo e sangrando tudo que for pedra.
Tuas duas luzes azuis,
faróis de gelo aceso
como a chama do fogo;
quente e invisível.
Cercado por seus primos erros,
que não passam de teimosia soberba;
gerada dos teus reis acertos.
E não importa o quanto seja
torto, vil e até asqueroso aos meus próprios olhares.
Mesmo assim cativas a dona destas linhas vagas e inúteis.
A indiferença que respira
é intermitente; e nos momentos de contração
derrete o meu cabelo e os meus olhos de terra
com suas trêmulas mãos e luzes azuis.
E mesmo essa palidez de espírito
não me aquieta a imaginação
dos teus cabelos sol, o teu rosto lua
e o teu corpo mármore desenhando linhas tortas
sobre o meu tímido arrepio,
entregue para o deleite da noite.
E o lugar certo para o teu corpo errado é na minha boca e nas minhas mãos.
23 de junho de 2010
13 de abril de 2010
O Que Reluz É Vento
De tantas vidas que se passaram
Entre toda enfermidade térrea
De tantas mãos que se seguraram nos mesmos restos
Por um tempo tão infindo como memórias
De poucas bocas que desfrutaram do mesmo sabor
Tudo morre e desintegra e as vidas escorrem, a terra fétida, as mãos apodrecem, a memória coagula, o sabor gangrena.
E o pó se esconde no ar e nos becos das ruas humanas.
Tudo o que é pó desaparece.
E por menor que seja o grão, a sobra, o precipitado
Se está lá, então valeu-se a vida.
Essencialmente vida.
Morta.
Entre toda enfermidade térrea
De tantas mãos que se seguraram nos mesmos restos
Por um tempo tão infindo como memórias
De poucas bocas que desfrutaram do mesmo sabor
Tudo morre e desintegra e as vidas escorrem, a terra fétida, as mãos apodrecem, a memória coagula, o sabor gangrena.
E o pó se esconde no ar e nos becos das ruas humanas.
Tudo o que é pó desaparece.
E por menor que seja o grão, a sobra, o precipitado
Se está lá, então valeu-se a vida.
Essencialmente vida.
Morta.
1 de abril de 2010
Sem Destinatário
Antes do show começar,
passa a maquiagem.
Tens a boca vermelha e sorrindo.
Na frente do público,
o espetáculo não pára.
Risadas, piadas, gargalhas.
Mais pipoca?
Sua desgraça nos faz rir.
Seus tombos e fracassos,
são comemorados pelo contingente.
A tragédia cansada, vira comédia.
Ninguém sabe. Segredo nosso.
Atrás da coxia lágrimas borram sua maquiagem;
E junto com seu cigarro, aquele sorriso se apagou.
Todo dia eu vivo e morro.
Ponho no rosto, um sorriso colorido.
Na gravata, um laço.
Mais pipoca?
Assinado: Palhaço.
[09/09/07]
passa a maquiagem.
Tens a boca vermelha e sorrindo.
Na frente do público,
o espetáculo não pára.
Risadas, piadas, gargalhas.
Mais pipoca?
Sua desgraça nos faz rir.
Seus tombos e fracassos,
são comemorados pelo contingente.
A tragédia cansada, vira comédia.
Ninguém sabe. Segredo nosso.
Atrás da coxia lágrimas borram sua maquiagem;
E junto com seu cigarro, aquele sorriso se apagou.
Todo dia eu vivo e morro.
Ponho no rosto, um sorriso colorido.
Na gravata, um laço.
Mais pipoca?
Assinado: Palhaço.
[09/09/07]
24 de março de 2010
Ele, Eu e Ela
A boca dela é a que ele beija,
Mas é meu o lábio que ele morde.
Nos olhos dela é que ele paira,
Mas são minhas, as lágrimas que escorrem.
A pulsação dela é o que ele sente,
Mas é meu o corpo que pulsa forte.
É com ela que ele sonha,
Mas é comigo que ele dorme.
Ele arranha as costas dela,
Mas é meu o sangue que escorre.
É o coração dele que suspira por ela,
E o meu é o que sofre.
Mas é meu o lábio que ele morde.
Nos olhos dela é que ele paira,
Mas são minhas, as lágrimas que escorrem.
A pulsação dela é o que ele sente,
Mas é meu o corpo que pulsa forte.
É com ela que ele sonha,
Mas é comigo que ele dorme.
Ele arranha as costas dela,
Mas é meu o sangue que escorre.
É o coração dele que suspira por ela,
E o meu é o que sofre.
13 de março de 2010
Delírios Brancos
O meu amor é forjado no sangue quente,
Que depois esfria no vento.
O meu amor sabe mentir
E mente para minha alma todos os dias.
O meu amor não é escasso
Mas sua fonte é desconhecida.
As gotas do meu amor pingam em cada flor do jardim do meu corpo
E o meu corpo, desabrocha no escuro...
O meu amor é forte
Mas qualquer sopro ignorante o quebra.
O meu amor é tão delicado
Que deve ser levado sob a pele de quem o possui.
O meu amor é plural
E por isso, muitos não sabem que ele existe.
O meu amor é meu
É ciumento, egoísta, possessivo e único.
O meu amor é tão furioso quanto uma tempestade impetuosa
Mas é tão paciente quanto o tempo.
O meu amor é feito de delírios...
E de lírios brancos.
Que depois esfria no vento.
O meu amor sabe mentir
E mente para minha alma todos os dias.
O meu amor não é escasso
Mas sua fonte é desconhecida.
As gotas do meu amor pingam em cada flor do jardim do meu corpo
E o meu corpo, desabrocha no escuro...
O meu amor é forte
Mas qualquer sopro ignorante o quebra.
O meu amor é tão delicado
Que deve ser levado sob a pele de quem o possui.
O meu amor é plural
E por isso, muitos não sabem que ele existe.
O meu amor é meu
É ciumento, egoísta, possessivo e único.
O meu amor é tão furioso quanto uma tempestade impetuosa
Mas é tão paciente quanto o tempo.
O meu amor é feito de delírios...
E de lírios brancos.
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